domingo, 20 de junho de 2010

Indiferença

É isto que sinto perante a morte de José Saramago. É curioso e decepcionante como um escritor que foi tantas vezes contestado é sempre na hora da morte que toda a gente sente pena e angústia perante a morte deste tipo de personalidades conhecidas, aliás, já me recordo disto se ter deparado há pouco tempo com a morte do Michael Jackson, que em termos de hipocrisia a atitude no geral foi praticamente a mesma...

Nunca gostei nem nunca hei-de gostar do seu modo de escrita. Bem me recordo do que passei a ler o ''Memorial do convento'', que desde já digo que é ridículo qualquer estudante ver-se obrigado a ler um livro que tem uma pontuação em tudo diferente do que nos ensinaram a fazer. Eu bem queria ver uma pessoa a fazer daquele tipo de frases apenas perceptíveis pelo uso do parágrafo, com uma ou outra vírgula no meio da página...

Costumam dizer que se trata de uma escrita diferente. Pois é, existem coisas certas e coisas erradas, e as diferentes, que por norma e geralmente sem surpresas, são erradas.

Isto, para não falar na arrogância e puro desprezo com que falava sobre Portugal. Mas qual é o português que diz que o nosso país devia pertencer a Espanha?! Com que intuito criámos(antes de ser Espanha sequer) e voltámos a adquirir independência aos espanhóis? Haja descaramento, cada vez que ouvi o tipo a falar apenas me apetecia dizer qualquer coisa como 'vai lá para a tua terra'.

Confesso que aquilo que mais discordei desde sempre em relação a ele foi precisamente o livro que tive de ler e certas entrevistas em que o ouvi falar sobre o país, ou seja, nada sei sobre outro livro que tenha escrito, não posso opinar, mas caso tenha usado o tipo de linguagem à base de palavrões que usou no memorial do convento, é imperceptível como uma pessoa que escreve mais de 30 vezes um palavrão num livro pode receber um nobel, pelo menos não creio que não tenham sido esses os casos nos antigos premiados com o nobel de literatura, e se foi, afinal escrever palavrões é a fórmula de sucesso para ganhar bom reconhecimento internacional....

E por fim, digo que o presidente da república teve a atitude mais correcta perante isto tudo. Uma pessoa que esteja de férias não tem cá de ir ao funeral de pessoas que nunca falou na vida, ainda para mais se se tratar de pessoas que, ao que tudo indica, não gosta; e o mais importante de tudo, não sendo amigo pessoal nem familiar, uma pessoa não tem minimamente obrigação de ir ao funeral de quem quer que seja...o máximo talvez seria obrigação moral, mas lá está, isso fica ao critério de cada um e ninguém pode criticar.

2 comentários:

escarlate.due disse...

li Saramago. sem lhe retirar o valor (quem sou eu para o fazer) não gosto (é um direito que me assiste e isso não faz de mim ignorante, estupida ou extra terrestre)
já li e ouvi que "foi o maior escritor português". foi o quê????????? ah ok e eu é que sou a ignorante? haja paciência.

entretanto o bêbado lá da terra do manel, aquele que aspancava a mulher e os filhos quando chegava a casa e espetou uma faca na barriga do amigo, quando morreu também virou santo e houve muita crepideira, ah pois, os mortos são todos heróis.

entendo que um autor deixe o seu país quando este se recusa permitir a venda do seu trabalho só porque não agrada a um qualquer governante, afinal é suposto haver liberdade de escrita. mas a partir do momento em que optou por renegar o seu país em favor de outro, alguém me explica porque diabo têm de ser os meus impostos a custear o seu transporte e pomposo funeral?

um chefe de estado não é uma pessoa qualquer e tem sim a obrigação de interromper as suas férias para estar presente em determinado funeral (por ex se o funeral for de um chefe de estado de país de relação) mas Saramago, ainda que tenha ganho um nobel é "apenas" um escritor e as obrigações de um PR perante um escritor por mais nome que ele tenha, não vão além da apresentação formal de condolências.
a mim preocupa-me realmente a forma como governam o país e não os funerais a que assistem ou não os respectivos governantes

Alien David Sousa disse...

João
EXCELENT POST! Disseste tudo aquilo que penso e que não escrevi por pura falta de paciência.
kisses alienígenas