quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Greve geral, mas é para levar a bem ou a mal?!

Muito os portugueses têm falado da crise. Agora, será que a verdadeira crise não será muito se falar sobre a mesma? É óbvio que muita gente tem passado dificuldades, mas há que perceber aquilo que de concreto traz uma greve geral: menos produtividade, mais tumultos, e ainda maior será a insatisfação das pessoas que querem trabalhar e vêm-se com dificuldades de chegar ao emprego.

Por demasiadas vezes se critica o governo pelas medidas escolhidas, quando não entendem que uma política à la Sócrates de evitar que haja mais papagaios a discutir a crise com base em aumentar a dívida pública sem que haja benefícios não dá em nada. O que está a suceder é simplesmente um corte de despesa do Estado que é necessário, e talvez nem seja suficiente, tal é a pressão dos mercados financeiros hoje em dia, visto que basta uma análise muitas vezes errada e propositada das agências de rating põem os países como Portugal em situação alarmante...

Portugal não é um país rico, que é algo que muita gente não percebe. Até mesmo um país que tem uma grande economia a nível mundial como a Itália está em grandes dificuldades para evitar também pedir ajuda externa.

Aquilo que cá em relação a Portugal se pode dizer é que fomos mal habituados. Cá protesta-se em relação ao subsídio de natal, e do 13ºmês de ordenado, por exemplo. E agora façamos o comparativo com a Alemanha. Eles não têm nada disso e vivem bem melhor. Eles tiveram também de reconstruir o país do zero depois da 2ªguerra mundial, coisa que nós nem participámos, e actualmente são o país com mais poder na Europa, e quanto a nós, não passamos da cepa torta....

A meu ver o nosso maior mal foi termos deixado de parte a agricultura e a pesca para entrar na UE em 1986 a troco de subsídios, e de termos engolido que tudo o que viesse do mercado comum seria tudo muito mais barato. Pois é, actualmente, o barato sai caro por alguma razão: não possuímos mais vantagens comparativas em relação a praticamente país nenhum europeu, e no entanto temos uma das maiores áreas marítimas exclusivas para explorar, e não usufruímos disso para nada, porque sai mais caro do que comprar ao estrangeiro (lá está, até certo ponto)...

O tratado da UE tem uma coisa muito mal explicada, extremamente mal definida: cada país devia poder exportar aquilo que de melhor pode produzir, e isso não é o que se vê em relação a países como Portugal, que se tem de sujeitar às regras dos países lá de cima, e que tanto perde com isso...

1 comentário:

Alien David Sousa disse...

Bastante lúcido. Não concordei com a greve porque neste momento de nada nos adianta. Estamos mal e temos de levar com o pau em cima e não há nada a fazer se não queremos sair da crise. Gostei do texto.
Beijinos