quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Muletas

Após alguns anos vão finalmente julgar João Rendeiro e o resto da corja do BPP. É curioso neste tipo de casos o papel dos advogados.

Como se sabe, os advogados têm uma profissão incrivelmente desprezível. Toda a gente os odeia, uma vez que o seu trabalho é defenderem muitas vezes pessoas que são culpadas e parece que não há nada que prove o contrário, mas por vezes com astúcia (a inteligência é das características típicas dos advogados), lá conseguem dar a volta aos juízes safando o culpado ou reduzindo uma pena que nunca na vida devia ser reduzida...

O estado judicial de Portugal também os ajuda. Este caso por exemplo já se passou há mais de 4 anos e só agora começou o julgamento... O que não há-de falta aí é juízes a fazer favores a troca de favores. E disso é evidente como estes altos banqueiros portugueses conseguem ser tratados mesmo depois de fazerem a porcaria que é costume...

Uma das desculpas de João Rendeiro para a sua plena inocência  é que as pessoas sabiam no que se metiam, na medida que os depósitos que as pessoas faziam vinham com um risco elevado. Uma vez que a taxa de juro que o banco dava era porreira era óbvio que isso iria atrair clientes, se era difícil de aguentar para o banco sobretudo com a vinda da crise depois de 2007 , aí já é outra conversa.

É por este tipo de situações que as pessoas devem fazer cautelas com os seus bens e distribuir o seu dinheiro não por apenas um, mas dois ou três bancos. É que ficar sem nada dizem que não dá muito jeito...

É curioso como os maiores processos-crime dos últimos 10 anos geralmente envolvem sempre bancos, principalmente os de investimentos. Seja porque detêm dinheiro das pessoas e não sabem tomar boas decisões, condicionando os governos muitas vezes (o BPN, BPP ou os bancos da Irlanda foram exemplo disso, já para não falar do Lehmann brothers). E no caso da malta da advocacia, juízes, advogados etc, são eles que fazem as leis e por vezes podem manipulá-las a seu favor e ainda recebem por isso...

Talvez tivéssemos melhores banqueiros no país caso sucedesse o que aconteceu na Irlanda, em que o governo em vez de injectar capital nos bancos falidos, deixou-os falir e os banqueiros foram julgados decentemente... Este ciclo do governo de sempre injectar capitais em bancos é ridículo. Parece que uma fatia do orçamento do governo já se dedica automaticamente a isso mesmo sem existir qualquer obrigação, se excluirmos o banco público, a CGD....

Rendeiro preferiu pedir ao governo, na altura do Socretino, que lhe ajudasse para que o banco não falisse e esse 'Não' vai na volta foi das melhores decisões que esse tipo teve na altura.

Sim, é terrível que muita gente tenha ficado sem poupanças. E sim, o Rendeiro devia ir preso por muitos anos porque é pela certa culpado e se sair disto inocente é mais um caso ridículo, mas agora o governo estar sempre a servir de muleta aos bancos não se pode achar justo e talvez seja por aí também que o país está como está. Favor para aqui, favor para ali, o governo vai gastando recursos no que não era obrigado e coisas tão ou mais importantes vão ficando para trás....

2 comentários:

Teresa Isabel Silva disse...

Pois... Sou obrigada a concordar contigo!

bJxxx

Diana Fonseca disse...

Assuntos destes até me causam náuseas. E não é por falares deles mas por existirem.